Petróleo cai 305% em NY e fecha o dia cotado abaixo de zero pela 1ª vez na história

Os contratos futuros do petróleo nos Estados Unidos foram negociados em valores negativos pela primeira vez nesta segunda-feira (20), após operadores liquidarem posições de forma massiva diante da falta de armazenamento para o produto no país.

O mercado de petróleo sofre com a baixa demanda provocada pelo impacto do coronavírus no desempenho da economia global.

O petróleo Brent, valor de referência internacional, também recuou, mas a fraqueza não foi nem de longe tão grande quanto à do WTI, uma vez que globalmente há mais espaço disponível para armazenamento.

O contrato maio do petróleo dos EUA fechou em queda de US$ 55,90, ou 306%, a – US$ 37,63 por barril, depois de tocar uma mínima histórica de – US$ 40,32. O Brent cedeu US$ 2,51, ou 9%, para US$ 25,57.

Com o preço em terreno negativo, produtores e investidores pagaram para que o produto fosse armazenado. Não está claro, porém, se isso chegará aos consumidores, que geralmente observam os preços mais baixos sendo traduzidos em valores mais baixos da gasolina nas bombas.

Poucos compradores; aumento das reservas

O contrato de barril de WTI para entrega em maio expira nesta terça-feira (21), o que significa que aqueles que o assinaram tiveram de encontrar compradores físicos. Com o aumento das reservas nos Estados Unidos nas últimas semanas, os produtores foram obrigados a baixar o preço para fazer essa conta fechar.

Na semana passada, a Administração de Informações sobre Energia dos EUA informou que as reservas de petróleo subiram 19,25 milhões de barris, enquanto a demanda recuou 30%.

O tombo desta segunda abriu a maior diferença da história entre o contrato atual e o próximo. O contrato junho do WTI, mais ativo, terminou a sessão em nível muito superior ao maio, cotado a US$ 20,43 o barril. O spread entre os dois vencimentos chegou a bater US$ 60,76, o maior da história para dois contratos próximos.

No mundo todo, há sinais de falta de locais para armazenamento do produto. De acordo com a Reuters, há atualmente cerca de 160 milhões de barris armazenados em navios-tanque, um número recorde, bem acima dos 100 milhões de barris armazenados dessa forma no auge da crise financeira iniciada em 2008.

Os estoques de petróleo em Cushing – o principal centro de armazenamento nos EUA – aumentaram 48%, para quase 55 milhões de barris, desde o final de fevereiro. O hub tinha capacidade de armazenamento operacional de 76 milhões em 30 de setembro, segundo a Energy Information Administration.

Fonte: G1 e Estadão

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